sábado, 6 de março de 2010

Por amor às causas perdidas

Entre dragões e moinhos de vento, entre alephs e máquinas do mundo, o que as ‘litteras’ me deixaram? A gente costuma dizer que somos o que pensamos ou o que comemos. Eu prefiro acreditar que você é o que lê. No meu caso, em menos de 24h, neste sábado, durante as aulas percebi no que havia me transformado. A faculdade de letras tirou totalmente a minha inocência como leitor e como telespectador do mundo. Regurgito o que me é apresentado com uma frieza glacial e me sinto muito bem assim.

Seguindo a mesma linha do post anterior e inovando a minha tentativa de dar uma cara mais específica a este blog, percebi que tenho que aprimorar a minha frieza e não tolerar tanto a incompetência alheia. A ignorância sim, mas incompetência, nunca. Das minhas limitações cuido eu. Cada dia que passa, percebo que do subúrbio carioca, do cerne dos bairros, ela tem emanado como um vírus.

(“Fudeu! O Gabriel virou neonazista, vai sair matando os alunos burros!!!”

-Não, nada disso, caro leitor!)

Por quê continuar estudando, se ninguém estuda, dando aula, se ninguém quer nada? Por que lá no fundo alguém quer, e se importa. Alguém lê os meus textos, acadêmicos ou não. Ainda param pra me escutar, mesmo que não acrescentem. Ainda bem que tem o ainda! Não sei se é amor, eu acho que não. Apenas respeito a decisão que tomei há um tempo atrás, a de produzir e ajudar quem quer, seja lá o que for, e seja lá o que isso signifique. Percebi que o saldo das 'litteras' foi mais positivo que negativo.

Sugestão de disco: JESUS CHRIST SUPER STAR, um disco de tirar o fôlego. Rockão como deveria ser um bom disco de rock. Escutem sem precisar se converter.

4 comentários:

Bea Machado disse...

Me fez lembrar de mim. Não sei se foram os cursos, os técnicos, o contato com o mundo externo tão cruel, a vida ou simplesmente algumas coisas que não deram muito certo comigo, mas há um tempo eu reparei como estava fria em relação a tudo no mundo. Não me importava realmente com as coisas, nem mesmo comigo, para falar a verdade. O ponto positivo era que nada, mas nada mesmo, me fazia sofrer; e o negativo é que nada me deixava realmente feliz. Me sentia meio inerte em relação aos meus sentimentos e achava que estava apenas controlando o incontrolável. Em alguns aspectos era até engraçado: fiquei debochada e piadista, cheia de humor negro. Caótico.
Mas por outro lado eu me sentia cada vez mais vazia, não me importava com nada nem ninguém e muito menos tentava agradar quem quer que fosse. Mas de um tempinho pra cá, um mês para ser mais exata, isso mudou... E foi tão do nada que eu nem percebi; quando reparei voltei a ser a mesma bobona sentimental de sempre, o que é mais caótico ainda.
Pois é, seu texto me fez escrever outro. Lembrei de muita coisa, poderia escrever por uma noite inteira... rs
Uhn... Sei lá, cuidado com a sua frieza. Ela as vezes pode afastar algumas pessoas que seria legal ter por perto.

Wanessa disse...

Pinguinzinho querido:
Bem vindo à geladeira acadêmica!A boa noticia é que a cerveja fica muito mais gostosa geladinha e a má (ou talvez não tão ruim assim) é que esse processo é irreversível.
Enfim...teremos de fazer um song book pq só nananana não vai dar conta!

Hélio Beiroz disse...

É, ficamos sempre mais críticos acerca daquilo que nos qualificamos e isso gera maravilhas, mas algumas decepções também. Especialmente ao perceber que muitas vezes jogamos ouro a porcos. Mas, sempre há um ou outro que vale a pena e é por esses que devemos continuar!

Abraço, irmão!

Nathália. disse...

Retribuindo a visita... Gostei do blog. Legal o espaço! :}